
Em parceria, a Secretaria Municipal de Saúde e de Educação e Cultura, por meio do Programa Saúde na Escola (PSE), deu um passo importante no enfrentamento à pobreza menstrual com o início do projeto “Nosso Ciclo, Nosso Direito”. A ação piloto teve início na Escola Municipal Edton Oliveira da Silva, garantindo a distribuição de absorventes e a realização de orientações essenciais para as adolescentes e para as alunas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) que ainda menstruam.
A iniciativa surge como resposta a uma realidade que afeta milhares de estudantes em todo o país, a falta de acesso a produtos de higiene menstrual, que pode levar à evasão escolar e ao comprometimento da autoestima e da saúde das meninas e mulheres. De acordo com dados do Censo Escolar, a Escola Municipal Edton Oliveira da Silva atende atualmente 523 alunos, com 55 matrículas na faixa etária de 18 anos ou mais, público que inclui as alunas da EJA. O projeto busca exatamente alcançar essas estudantes, garantindo que nenhuma delas precise faltar às aulas por falta de apoio.
A secretária municipal de Saúde, Samara Aragão, destacou a importância da parceria entre as pastas para a concretização da ação. “A saúde menstrual é um tema de saúde pública que vai além do acesso a absorventes. Envolve informação, acolhimento e respeito. Quando uma menina ou mulher não tem condições de cuidar adequadamente da sua higiene menstrual, isso afeta sua saúde física e emocional. Com o projeto 'Nosso Ciclo, Nosso Direito', estamos dizendo que a dignidade menstrual é um direito de todas, e que a escola é um espaço de cuidado integral. Agradeço à Secretaria de Educação pela parceria e reafirmo o compromisso da nossa gestão em ampliar essa política para toda a rede”, afirmou.
O secretário municipal de Educação e Cultura, Willams Santana Messias, também celebrou o início do projeto e ressaltou o impacto positivo na permanência escolar das estudantes. “A educação e o cuidado andam juntos. Sabemos que a pobreza menstrual é uma das causas de faltas e até de abandono escolar entre meninas em situação de vulnerabilidade. Por isso, iniciativas como essa são fundamentais para garantir o direito de aprender com dignidade. A Escola Municipal Edton Oliveira da Silva foi escolhida para iniciar esse piloto, e a ideia é expandir para outras unidades, especialmente aquelas localizadas em áreas de maior vulnerabilidade social. Essa é uma ação que cuida das nossas alunas e fortalece a permanência delas na escola”, declarou.
O projeto “Nosso Ciclo, Nosso Direito” está alinhado com movimentos nacionais e internacionais de combate à pobreza menstrual. Em âmbito federal, a Lei 14.214/2021 já instituiu o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual, prevendo a distribuição gratuita de absorventes para estudantes de baixa renda da rede pública. Além disso, projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional buscam incorporar a dignidade menstrual à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, garantindo o fornecimento contínuo de absorventes e a manutenção de infraestrutura sanitária adequada em todas as escolas da educação básica .
Em Nossa Senhora da Glória, a ação piloto vai além da distribuição de insumos: a programação inclui rodas de conversa e orientações sobre saúde menstrual, desconstruindo tabus e promovendo o autocuidado. O projeto é uma construção conjunta das secretarias de Saúde e Educação, com o apoio do Programa Saúde na Escola (PSE), que atua na integração das políticas de saúde e educação no município.
Por Bruno Balbino Jornalista DRT 2039/Se - Ascom Glória / Fotos: Arquivo - Ascom Glória
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